O balão cor-de-rosa

Aquele balão cor-de-rosa não me sai da cabeça. Nesta quinta-feira teve lugar um dos episódios mais peculiares de que tenho memória. Uma coisa que até podia ser banal, mas que para mim teve um significado especial. Final de tarde agitado, como é hábito em Lisboa. Eu estava a dirigir-me para o metro. Ia a passar numa avenida. Quando chego perto de uma intersecção, com semáforos, muito movimentada deparo-me com um balão que por ali vagueava na estrada. Era cor-de-rosa. Com o vento causado pelos carros que passavam, ele não parava de rebolar e voar. Não sei, mas houve ali qualquer coisa que me despertou a atenção. Criei uma ligação com aquele balão naquele momento. E torci por ele. Um balão que estava perdido, no meio de uma confusão e nada nem ninguém lhe prestou atenção. Era como se ele estivesse sozinho, cheio de gente à volta, e prestes a explodir. É como eu me sinto. Deve ser por isso que aquela situação me cativou tanto. Eu só pensava que o balão ia rebentar a qualquer momento. Era carro atrás de carro e ele persistia. Nunca desistiu até que pousou no passeio dos peões. Eu não conseguia deixar de observar aquela situação. Só queria olhar para trás e ver o balão. E lá ficou ele, são e salvo num jardim até que o deixei de avistar. Esta história, à partida, seria insignificante, se eu não estivesse a passar pelo que estou a passar na minha vida actualmente. Mas aquele balão representou muita coisa para mim. Era rosa e eu já aqui assumi no blogue – post “Azul & Rosa” – que uma parte de mim é rosa, a minha identidade de género, a minha vulnerabilidade enquanto pessoa. Depois, era um simples balão, altamente propício a desaparecer de um momento para o outro. E no entanto, tal não aconteceu. Ele superou aqueles obstáculos todos. Eu não consigo parar de pensar nisto. A sério. Penso que se aquele balão ultrapassou todas aquelas barreiras, desafiando todas as probabilidades, eu também hei-de conseguir. Ponho-me a pensar: porque não enfrentar o Hugo de uma vez? O que eu tenho a perder? Se eu fosse um balão, e tudo corresse mal, rebentaria e acabava tudo. Mas não sou e haverá sempre um amanhã. Não há que ter medo daquilo que pode acontecer embora isso assuste, é claro. E portanto, dê por onde der, mesmo que tudo corra mal eu hei-de superar isto e sobreviver.

Frases sobre amor - Parte 6

"Fica-se enamorado quando se dá conta de que a outra pessoa é única." (Jorge Borges)


"Porque o fogo que me faz arder é o mesmo que me ilumina." (Étienne La Boétie)


"O coração tem razões que a razão ignora." (Blaise Pascal)

 "É muito melhor viver sem felicidade do que sem amor." (William Shakespeare)


"Em matéria de amor, o silêncio vale mais do que a fala." (Blaise Pascal)

"Amar é fazer pacto com a dor." (Julie Lespinasse)


"O amor: uma fonte que tem sede." (Marie Noel)


"Donde pode nascer o amor? Talvez de uma súbita falha do universo, talvez de um erro, nunca de um acto de vontade." (Marguerite Duras) 

"No amor somos injustos, porque supomos que o outro é perfeito." (Jean Paul)

"Viver sem amor significa realmente não viver." (Jean Molière)


"É melhor estar triste com amor, do que alegre sem ele." (Johann Goethe)

 "O amor é um sonho que chega para o pouco ser que se é." (Fernando Pessoa)

Meros desabafos

Quanto mais racional tento ser, menos consigo. Este assunto desgastou-me de tal modo que já nem consigo tomar nenhuma decisão, por não ter força para isso. Ando em cima do muro há meses, sem saltar para nenhum lado. Não sei o que fazer. Não sei se insisto ou desisto. A verdade é que já estive mais convicto em prosseguir, mas também não quero ficar por aqui. O Hugo criou as regras do jogo à sua vontade e eu perdi. Contudo, foi legítimo da parte dele. Quem se meteu no caminho dele fui eu e não o contrário. Só tenho é que aguentar. Acho que é por isso que não consigo ganhar-lhe raiva de maneira nenhuma. Não consigo odiá-lo. Deve ser porque isto que sinto é mesmo autêntico. Está tudo ao contrário na minha vida. Desde a minha existência até à minha essência. E acabo por deixar as minhas inseguranças e hesitações estragarem tudo. Tenho é de enfrentar aquilo que realmente sou e dizer as coisas como elas são. Eu não tenho apenas uma orientação sexual que foge à "regra". Eu tenho um transtorno de identidade de género e não tendo sido eu a escolhê-lo, tenho de saber lidar com isso. É um assunto que me envergonha imenso, mas não posso fazer nada. Andei anos a ignorar o que me diziam e agora consigo enxergar aquilo que sou mesmo. Quando aquele amigo me disse que não compreendia o que ia na cabeça das mulheres nem na minha percebi que eu não era como os rapazes. Percebi que havia algo que não batia certo. Percebi que a minha mente não encaixava no meu corpo. Percebi, mas fingi não perceber durante anos, que tenho uma mente feminina a comandar um corpo masculino. :S E isso foi-me atribuído, não foi uma escolha. E há gente que insiste em ignorar isso, e protegem-se, daqueles que são diferentes, atrás de uma cortina de preconceito. Também me foi sugerido em tempos que eu encontrasse um rapaz bissexual para me completar, que só um homem que também se sentisse atraído por mulheres poderia ser compatível com a minha personalidade e desejos. Eu era tão novo, que ignorei tudo. O resultado foi uma vida amorosa desastrosa. Em termos amorosos sou um desastre. E na única vez que me apaixonei verdadeiramente foi por um rapaz que não me percebe, que foge de mim como se eu fosse sei lá o quê. Não consigo compreender por que é que tal coisa tinha logo de acontecer comigo, eu que nunca fui vil, que nunca prejudiquei ninguém em toda a minha vida. Vivo escondido na escuridão, a fugir do destino, com um medo constante do que possam pensar de mim por onde eu passo. Eu ponho-me a pensar e eu nem sei bem o que sou realmente. Por dentro, é como se estivesse a lutar comigo mesmo. A tentar matar aquilo que não quero ser, a tentar esconder a todo o custo o que sou, mas que é aquilo que tenho de ser. Esta luta interna, esta vergonha, esta desilusão amorosa, isto tudo está a acabar comigo. E isto não é drama. Eu fico cada vez mais com a sensação que ninguém me percebe, mesmo aqueles que me estão próximos. Ninguém me percebe, porque eu sou uma excepção (para não dizer aberração) da sociedade. Eu olho para o Hugo e ele é tudo o que se deve ser: o rapaz típico, bonito, inteligente, culto, heterossexual e por aí fora. Eu não sou nada disso. Nem nunca vou ser. Vou ser sempre considerado menos do que os outros. E só Deus sabe porque sou esta pessoa de plástico que sou hoje, que vive de marcas, luxos, futilidades, etc. Porque eu nunca ia aguentar ser considerado um verme. Tive de construir uma muralha. Só assim consegui atenuar os meus medos. E depois penso que quanto mais quis ser importante para ele, que quanto mais quis marcar presença, que quanto mais quis fazer a diferença, menos representei para ele. Acabei por ser um zero à esquerda. Zerinho! Eu continuo com tanto por dizer. Tenha tanta coisa entalada aqui dentro, mas agora não consigo dizer mais nada.