Amor e paixão vs ódio e indiferença

"O amor está mais perto do ódio do que geralmente supomos. São o verso e o reverso da mesma moeda de paixão. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença..."

A minha paixão não precisou de ser regada como as flores. Ela floriu e cresceu sozinha. Quem me dera que nunca tivesse acontecido. Mas dou a mão à palmatória quanto à sua bravura e persistência. Ela tem sido uma verdadeira guerreira. Não falhou onde muitas outras falharam. Não morreu quando muitas outras morreram. A minha intensa paixão foi o que eu nunca fui: autêntica, corajosa e lutadora. Estou sempre a tempo de mudar e de me tornar como ela. Será que consigo? Talvez. Mas o que é que eu ganharia com isso? Provavelmente nada. Ao contrário dela, que apenas tem um motivo para existir, eu não tenho apenas um motivo para existir; tenho também objetivos. Objetivos esses que não dependem somente de mim. O meu maior objectivo tem nome próprio, chama-se Hugo, e é o mesmo há tempo demais. Tive de aceitar os factos tal como são. Eu sou indiferente para o Hugo e isso complica muito as coisas. O oposto do amor não é o ódio, mas sim a indiferença. O amor (com a amizade incluída) é um sentimento de afecto, dedicação e preocupação para com alguém. Ele não sente nada disso por mim. Rigorosamente nada. Durante um certo período, eu achei que ele me odiava por causa disto, por eu o fazer sentir desconfortável, por fazê-lo desconfiar quanto à minha pessoa. Foram momentos complicados esses, em que eu achei que ele me odiava. Mas lentamente fui-me apercebendo que não tinha assim tanta importância na vida dele a tal ponto de ser suficiente para o fazer odiar-me. O que eu lhe sou mesmo é indiferente. Acho que isso é pior porque quando se odeia já se está a dar importância e na indiferença não existe nada. O amor e o ódio estão muito próximos, na minha opinião. São como dois irmãos que não se suportam. E não é nada disso que existe entre mim e o Hugo. Cada um, à sua maneira, respeitou o outro, num ambiente de frieza total. Diria mesmo que se houver um elo que nos ligue, esse elo deve ser feito de gelo.
Não é possível voltar atrás e eu tenho tentado lidar com isto da melhor forma possível. Admito que perdi a noção da realidade várias vezes. Cheguei mesmo a sofrer de loucura temporária. Hoje, sou uma pessoa mais serena e sensata relativamente a este assunto. Agora, sofro de uma tristeza profunda que de temporária não tem nada.
Para mim, o Hugo não é um enigma. Aquilo que ele representa para mim é que é um enigma. As sensações que ele me transmite são fortes demais, nomeadamente mãos a tremer, alteração da respiração e pulsação, vontade incontrolável de chorar. E isso não acontecia só quando eu estava perto dele, num espaço físico. Basta encontrá-lo na internet. Acerca disso, tenho a dizer que comecei a ganhar raiva ao Facebook. Hoje, por exemplo, fui dar com ele nesse site. Não entrei no perfi, mas vi a fotografia. Foi o suficente para me desorientar o resto do dia e é por isso que estou a redigir, porque esta é a forma que eu encontrei para deitar cá para fora o que me vai na alma, senão explodo.
Há umas semanas, eu fiz uma metáfora e comparei-me a um desses carros de corrida que vão a alta velocidade e que acabam por se despistar. Eu actualmente vou em alta velocidade, em direcção ao desconhecido, e posso até vir a despistar-me. Mas se eu parar, não chego a lado nenhum. Se eu parar, não alcanço nada. Eu propus-me, desde o capítulo 1 desta história, chegar ao Hugo, entrar na vida dele, de uma forma ou de outra. Só depois disso é que vou parar. Repetindo o que já aqui disse outrora, só lhe quero mostrar que não sou nada do que ele julga que eu sou. Ele nunca me chamou nada, nunca me ofendeu, mas sei que ele pensou coisas sobre mim. Preciso clarificar o sucedido, fazer ajustes, rectificar erros. Depois disso, ele decide se eu sou ou não digno de ter um papel na vida dele. E falando em papéis, a minha vida parece cada vez mais um filme...
O que tenho para lhe dizer está praticamente pronto. Acho que o que falta mesmo é coragem. Enquanto eu não conseguir desligar-me daquilo que o rodeia, daquilo que ele é, de tudo, e não me concentrar exclusivamente naquilo que eu sinto por ele, não conseguirei contar-lhe o que resta. É esse exercício que tenho andado a fazer. Numa hora destas vou acabar por conseguir.

2 Response to "Amor e paixão vs ódio e indiferença"

  1. Tiago Pacheco Says:

    ola! como ficou esse caso? gostei muito do seu texto!
    pode-me responder para simplytiago@gmail.com

  2. Tiago Pacheco Says:

    Ola! comi ficou essa historia? gostei muito do seu texto!

    pode-me responder para simplytiago@gmail.com